Há 45 anos, um gesto de fé, sensibilidade e compromisso social mudava a história de muitas vidas em Juazeiro, Bahia. Dom José Rodrigues, então bispo da Diocese, tocado pela realidade das mulheres em contexto de prostituição, e conhecendo o trabalho transformador da Congregação das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, fez um convite que se tornaria missão: acolher, cuidar e caminhar ao lado dessas mulheres com dignidade e esperança.

Irmãs Oblatas em Juazeiro/Bahia (década de 1980) – Foto restaurada

Assim, nascia uma trajetória marcada pelo acolhimento, pela escuta e pela reconstrução de histórias. As Irmãs Oblatas chegaram não apenas para desenvolver um trabalho social, mas para semear fé onde havia dor, esperança onde havia abandono e amor onde muitas vezes só existia exclusão.

Quatro décadas depois, essa história segue viva. Neste ano, a trabalhadora Fernanda Nunes mediou uma roda de conversa com as mulheres acompanhadas pela Pastoral, em um encontro marcado por memória, emoção e reconhecimento. Mais do que relembrar o passado, o momento reafirmou a força de um trabalho que continua transformando vidas.

Para J. G., mulher assistida, “recordar é também celebrar”. Ela revive com carinho o tempo em que conviveu com as irmãs: estudou na creche e guarda com emoção a lembrança de um aniversário inesquecível, quando prepararam uma festa especial e foram buscá-la em casa. Um gesto simples, mas que revela o cuidado e o amor que marcaram gerações.

A terapeuta Márcia Honorato, responsável pela atividade das práticas integrativas também se emocionou ao conhecer mais profundamente essa história.

“Fiquei muito tocada. Foi um momento extremamente acolhedor. As mulheres expressaram que este espaço representa força, coragem, alegria e transformação. É, sem dúvida, uma verdadeira casa de acolhida.”

Entre memórias e testemunhos, permanece a certeza de que a chegada das irmãs há 45 anos continua atual e necessária. Um trabalho que nasce da fé, se fortalece no acolhimento e floresce na esperança, transformando histórias e reafirmando, todos os dias, o valor e a dignidade de cada mulher.

Equipe Pastoral da Mulher – Rede Oblata em Juazeiro/BA


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História em fatos – Memória da missão Oblata

Com a chegada do segundo bispo na Diocese, Dom José Rodrigues, em pleno contexto da construção da Barragem de Sobradinho, época denominada pelo povo e movimentos sociais como um período de grande injustiça social, onde inúmeras famílias foram desalojadas de suas terras de uma forma dramática, chegaram (em 1981) as Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor para assumir juntamente com as equipes de agentes de pastoral, a coordenação do trabalho com as mulheres.

O Instituto veio a Juazeiro a convite do bispo Dom José Rodrigues e, com isso, este trabalho passou a ser assumido pela Diocese como uma atividade das pastorais sociais, passando a ser Pastoral da Mulher.

Com a grande migração humana neste período, segundo registro da época, havia aproximadamente 2.000 mulheres provindas das várias cidades da região e Estados vivendo em situação de exploração, violência e esquecimento social.

Fonte: pastoraldamulher.oblatassr.org