No dia 30 de maio de 2026, a equipe do Projeto Antonia – Rede Oblata em Sao Paulo, participou do II Festival Mulheres em Luta, que contou com movimentos sociais e organizações de todos os estados do Brasil.
O Festival MEL – Mulheres em Lutas é um dos maiores encontros de articulação política, formação e cultura voltado a lideranças feministas em nível nacional.
Durante o evento, ocorreram diversas rodas de conversa e mesas de debate voltadas à reflexão e à construção de alternativas relacionadas às múltiplas formas de violência contra as mulheres. Também foram discutidos temas ligados à tecnologia, especialmente o uso da inteligência artificial e os impactos que essa ferramenta vem causando na sociedade contemporânea, bem como alternativas sustentáveis para sua utilização.

Entre os diversos temas abordados, destacou-se a importância, a potência e a transformação proporcionadas pela participação das mulheres no campo da política. Também foram realizadas reflexões acerca da degradação da natureza e sua relação com as diversas formas de violência sofridas pelas mulheres, estabelecendo paralelos entre a exploração do corpo feminino e a destruição ambiental.
Veronilda Oliveira educadora social e Juliana Helena Santos Assistente Social participaram ativamente das rodas de conversa “Acolhimento Multidisciplinar nos Casos de Feminicídio” e “Fortalecer para Enfrentar: Organizações de Mulheres Periféricas no Combate à Violência de Gênero e ao Feminicídio”, contribuindo para os debates a partir da experiência do Projeto Antonia.

Durante as discussões, foi ressaltada a importância de que as políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres considerem, de forma efetiva, as especificidades e vulnerabilidades vivenciadas pelas mulheres que exercem a prostituição, garantindo seu acesso à proteção social, aos serviços da rede de atendimento e à efetivação de seus direitos.
Além disso, a equipe acompanhou a oficina “Lampejo de Tecnopolítica, Cuidados Digitais e Comunicação Estratégica: em Rede Somos Fortes”, que abordou estratégias de comunicação, segurança digital e fortalecimento das redes de articulação entre mulheres e movimentos sociais. Participaram ademais do painel “Saúde e Justiça Reprodutiva: Dignidade Menstrual, Direitos Reprodutivos e Humanização do Parto”.
No final do dia, foi exibido o documentário “Quando a Puta Fala”, produzido por mulheres que exercem a prostituição. O documentário apresentou uma forte crítica à invisibilidade da humanidade dessas mulheres, abordando questões relacionadas ao trabalho, aos direitos e ao direito de existirem com dignidade e reconhecimento social.
Após a exibição, foi realizado um espaço de reflexão sobre o tema. Neste momento, observou-se que, embora as demais salas e rodas de conversa estivessem cheias e com ampla participação do público, esta atividade contou com baixa presença, fato que provocou importantes reflexões acerca do preconceito e da invisibilização social ainda existentes.
No debate realizado, foram compartilhados os principais desafios que elas enfrentam no exercício da prostituição no meio digital, com o auto custo das plataformas, o desafio de trabalhar sem uma rede de apoio. Destacaram as dificuldades enfrentadas no acesso às políticas públicas, bem como, as perspectivas de ampliação e fortalecimento das estratégias de cuidado, proteção e garantia de direitos. Neste espaço foram apresentados os serviços oferecidos, as ações desenvolvidas e o trabalho de acompanhamento realizado pelo Projeto Antonia junto a este coletivo referido.
