O Papa Leão XIV, em sua Mensagem para o LX Dia Mundial das Comunicações Sociais em 2026, escolheu um tema de profunda ressonância ética e espiritual: preservar vozes e rostos humanos.

Em um mundo cada vez mais mediado por interfaces digitais, o Pontífice afirma que o rosto e a voz são sagrados, pois são dons dados por Deus que manifestam a singularidade de cada ser. Preservá-los, segundo o Papa, significa preservarmo-nos a nós próprios como humanidade. Esse chamado ressoa diretamente na missão das Oblatas, que têm no encontro pessoal a base de sua atuação profética.

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Na dinâmica dos Projetos Oblatas, o ato de preservar rostos e vozes assume um significado de cuidado e libertação. Mulheres em contexto de prostituição frequentemente enfrentam o apagamento de suas identidades, tendo seus rostos escondidos pelo estigma social e suas vozes silenciadas pelo preconceito. A missão das Oblatas é, primordialmente, resgatar a visibilidade roubada como cidadãs, reconhecendo em cada mulher um sujeito de direitos e uma história sagrada, permitindo que sua voz volte a ecoar com autonomia e dignidade na sociedade.

O encontro real frente aos desafios da tecnologia

A mensagem do Papa Leão XIV traz um alerta necessário sobre o avanço da Inteligência Artificial e de tecnologias que simulam relações humanas, correndo o risco de roubar a alteridade e a profundidade do contato interpessoal. Neste sentido, a comunicação praticada pelas Oblatas caminha na direção oposta a essa desumanização.

Nossa comunicação é feita de encontro real, escuta qualificada e presença constante nos territórios de vulnerabilidade. Onde a tecnologia pode oferecer uma simulação, as Oblatas oferecem o abraço, o olhar atento.

O Papa Leão XIV propõe três pilares fundamentais para a comunicação contemporânea: responsabilidade, cooperação e educação.

Ao informar a sociedade sobre as causas estruturais da vulnerabilidade feminina, por exemplo, os Projetos Oblatas educam o olhar público para que ele deixe de ser julgador e passe a ser cooperativo. Comunicar, neste contexto, é um ato de responsabilidade coletiva que visa desconstruir barreiras e promover uma cultura do cuidado.

O sonho de uma comunicação profunda e empática

Durante o planejamento de comunicação de 2026, a nossa equipe construiu uma prece que sintetiza nosso compromisso com a verdade e com a justiça social. Esse desejo de comunicar com profundidade guia cada ação informativa e de sensibilização realizada pela instituição.

«Nós, que comunicamos histórias, lutas e esperanças, e batalhamos diariamente por um viver mais justo e menos desigual para as mulheres, ousamos sonhar com um ano cheio de amor e empatia. Sonhamos em comunicar, com profundidade, a realidade da prostituição e a verdade sobre essas mulheres. Com elas e por elas, nunca iremos desistir.»

O 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais foi celebrado em 17 de maio de 2026. Compartilhamos o excelente subsídio do Grecom/CNBB, que aprofunda essa reflexão em 7 capítulos, escritos por especialistas em comunicação, teologia e educação:

Rosto e voz humana: princípios teológicos – Aline Amaro da Silva nos lembra que, desde a criação, somos imagem de Deus. Preservar rostos é preservar o reflexo do amor divino.


Comunicação e Unidade
– Claudenir Módolo Alves reflete sobre como a comunicação pode tecer comunhão em vez de muros.


Ser ou fingir: simulação de relações e de realidade
– Irmã Joana Puntel, fsp, alerta sobre os riscos da antropomorfização da IA, que simula sentimentos e invade nossa intimidade.


Quando a missão comunicativa pede autenticidade – Janaína Gonçalves nos convoca a uma comunicação que é testemunho, não performance.


IA e discernimento: não renunciar ao pensamento crítico
– Moisés Sbardelotto nos provoca: a questão não é o que a máquina pode fazer, mas o que nós podemos fazer com nossa inteligência humana.


Orientar a inovação digital: o pilar da cooperação
– Magali Cunha mostra que nenhum setor enfrenta sozinho os desafios da IA. Responsabilidade, cooperação e educação são os três pilares.


A educação como caminho – Ricardo Alvarenga aponta a literacia digital e midiática como chave para não sermos engolidos pela técnica.

Acesse o subsídio completo abaixo. Acesse o site da CNBB ou do Grecom para mais informações.