No Encontro Formativo da Rede Oblata Brasil, realizado na Casa de Encontros Madre Antonia (CEMA), em São Paulo, a cientista social e pesquisadora do CNPq, Carolina Bonomi, convidou as equipes a refletir sobre as transformações digitais no mercado sexual: da internet discada ao Pix, dos anúncios impressos ao camming e às plataformas de conteúdo.

Em sua fala, a pesquisadora mostrou como trabalho, valor, risco, visibilidade e intimidade passaram a ser reorganizados por novas infraestruturas digitais. Segundo sua pesquisa, a digitalização ampliou possibilidades de negociação e renda para mulheres, mas também trouxe novos desafios: a gestão da própria imagem, a perda de perfis, a dependência de plataformas privadas, a renda fragmentada e a ausência de direitos trabalhistas consolidados. Como destacou Bonomi,
a plataformização não substituiu a precariedade por direitos.
Ao promover espaços de reflexão e formação como este, o Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, com a articulação de seus projetos (Rede Oblata Brasil) reafirma sua busca permanente pelo conhecimento das mudanças na atual conjuntura. Investir na formação das equipes, escutar pesquisas, compartilhar experiências e construir trocas qualificadas fortalece a capacidade de estar cada vez mais próximo das mulheres e de suas necessidades reais.

Essa proximidade acontece nos bares, nas praças, nos hotéis, nas acolhidas nas sedes dos projetos, mas também nos espaços digitais, onde hoje muitas relações, trabalhos, violências, afetos e estratégias de sobrevivência são produzidos. Conhecer essas transformações não é apenas acompanhar a tecnologia, é conhecer mais, escutar melhor e responder melhor às realidades que as mulheres vivem no presente e que desafiam nossa ação pastoral.
Seguimos tecendo conhecimento, escuta e compromisso para que nenhuma mulher permaneça invisível e tenha seus direitos violados, seja no presencial, seja no digital.
Carolina Bonomi (Carol Bonomi) é cientista social e mestra em Ciências Políticas. Doutoranda em Ciências Sociais no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, é vinculada ao Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, onde desenvolve pesquisa sobre a produção da categoria trabalho sexual na articulação entre trabalho e sexualidade. É pesquisadora bolsista do CNPq e investiga temas como prostituição, pornografia, sociologia do trabalho, sexualidade e plataformas digitais. Em 2026, lançou o livro «Mulher da vida, é preciso falar», que recupera a história da organização das trabalhadoras sexuais no Brasil e o combate ao estigma.

Lançamento: Livro «Mulher da vida, é preciso falar» (2026)
Perfil acadêmico: Google Scholar – Carolina Bonomi
Sex Work, Essential Work: A Historical and (Necro) Political Analysis of Sex Work in Times of COVID-19 in Brazil
Produção acadêmica: Academia.edu – Unicamp
Entrevista com Pedro Bial: Carolina Bonomi e Paula Assunção falam sobre a luta pela regulamentação do trabalho sexual
Camming é a prática de transmitir a si mesmo ao vivo pela câmera da internet (webcam) para um público online, geralmente em troca de dinheiro, fichas ou gorjetas. Essa atividade é muito comum na indústria do entretenimento adulto, onde profissionais conhecidos como cam girls ou cam boys realizam shows eróticos, conversam ou interagem virtualmente com os espectadores.
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