O Brasil enfrenta uma verdadeira epidemia de feminicídios, e nós, da Rede Oblata Brasil, não podemos silenciar diante da barbárie.
Mesmo com legislações que deveriam proteger, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, milhares de mulheres seguem sendo assassinadas, violentadas, arrastadas. A impunidade persiste e negligenciar os fatos é condenar o futuro.
Diante disso, nos levantamos em nome da justiça, da compaixão e da dignidade humana. Seguimos nossa missão caminhando ao lado de mulheres em contextos de pobreza e prostituição, violência, tráfico, racismo, exclusão. Mulheres que não cabem nos discursos prontos, mas clamam por respeito, por políticas públicas eficazes, por uma sociedade onde possam viver sem medo.
«Como religiosas consagradas, sabemos que nenhuma de nós está a salvo. Afinal, somos mulheres e o machismo não escolhe, apenas atropela. O patriarcado se sustenta em todas as estruturas; a misoginia nos atravessa, seja nas ruas, nos lares, nas instituições. Nós seguimos Jesus Redentor, que se indignava com a injustiça e defendia a dignidade de cada ser. Um Cristo do encontro, da escuta, da transformação, que reforça a nossa esperança e afirma que as vidas de mulheres, as nossas vidas, importam», comenta Ir. Lucia Alves (Oblata do Santíssimo Redentor).
Em 2021, o Papa Francisco lançou um apelo sobre a violência contra as mulheres em um vídeo de intenção de oração: «O número de mulheres espancadas, ofendidas e violadas é impressionante. As diversas formas de maus-tratos que muitas mulheres sofrem são uma covardia e uma degradação para toda a humanidade. Para os homens e para toda a humanidade. Os testemunhos das vítimas que se atrevem a quebrar o silêncio são um grito de socorro que não podemos ignorar. Não podemos olhar para o outro lado. Rezemos pelas mulheres que são vítimas de violência, para que sejam protegidas pela sociedade e o seu sofrimento seja considerado e escutado por todos.”
Nós não olhamos para o outro lado, nós vamos ao encontro. Em nossas obras sociais, entendemos que reduzir danos é essencial, mas não basta. É preciso acolhimento, educação transformadora, justiça social estruturante, proteção real e vontade política. Por isso, é tão importante que as Igrejas, as Congregações, lideranças e cada pessoa individualmente olhe com seriedade para a dor das mulheres, prontas a agir com firmeza para que possamos viver com dignidade, liberdade e paz. Vivemos o Evangelho como resistência e fonte de amor ao próximo. Que esta mensagem ecoe nas ruas, nos altares e nas consciências.
Redação Rede Oblata Brasil – Província Santíssimo Redentor